quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Postal de Londres: Carta para Marina Silva


Prezada Marina,
Sou cidadão lusófono residente em Londres e fiquei alegremente emocionado quando vi que você estava no privilegiado número de eleitos, entre os quais se encontrava o grande e eterno campeão de boxe e dos direitos civis Muhammad Ali, escolhidos para carregar a bandeira olímpica na cerimónia de abertura dos jogos de Londres 2012.
Alegremente emocionado me senti, não apenas pelo seu Brasil natal mas por toda uma pátria de nome Língua Portuguesa, num sentido muito para além do raciocínio original meramente literário de Fernando Pessoa. Todos, nos quatro cantos do mundo onde se fala o português, estivemos muito bem representados por si naquele momento único, sublime, do maior festival de encontro e celebração de toda a diversidade humana.
Alegremente emocionado porque você, querida Marina, além de personificar mundialmente a causa do meio ambiente, com a sua tripla herança cultural intercontinental você também simboliza a riqueza e a beleza resultantes da diversidade étnico-cultural humana, chave para o desenvolvimento de um mundo que se quer harmonioso, humanista, livre de preconceitos e racismos.
Suspeito que você ''não deve dar bola nenhuma'', como se diz em bom português brasileiro, aos invejosos que não resistiram em evidenciar toda a sua pequenez de ser e de alma diante de momento tão magnânimo e grandioso.

Esses, além de pequenos demais, são uma espécie em extinção desejavelmente progressiva, embora ainda longa, para o bem de uma humanidade sustentável em todos os sentidos.
O seu Brasil já teve um presidente com a cara do povo pobre, sofredor e batalhador. Que o seu Brasil tenha um dia, não apenas sambistas e futebolistas, mas igualmente um/a presidente com a cara mais representativa entre as herdadas da sua diversidade miscigenada de povos e culturas: a sua cara!
Quando um dia assim acontecer, talvez raramente existirão colunistas de uma certa imprensa brasileira branca, dominante e preconceituosa que escrevam textos de espanto por se cruzarem com jovens negros de uniforme Adidas caminhando tranquilamente nas ruas da multicultural e inclusiva Londres, e que talvez estudem em Oxford.

Muito menos haverá um ministro que ouse ironizar as suas alegadas ''boas relações com as aristocracias européias'' para buscar assim, de forma tacanha, uma explicação para a sua merecida presença nos palcos maiores e mais apetecidos dos grandes eventos do mundo.

.Viva o Brasil 2014! Viva o Brasil 2016!

 * Correspondente da Afropress em Londres

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